♰ almost we're a freakshow

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♰ almost we're a freakshow

Mensagem por Bellatrix von Schwanck em 8th Fevereiro 2016, 1:08 pm

❝ every wicked bit of you ❞
♦ um conto de fadas

Era uma vez uma família muito feliz, viviam numa casa muito bela em Westfield, tinham uma condição boa. O pai arquiteto, a mãe médica. Toda uma descendência gloriosa. Eles eram tão amáveis e atenciosos, portavam uma paciência invejável e uma postura polida.

Tinha uma pequena princesa, a caçula da família. Era angelical e dengosa, nunca dava trabalho. Era cinco anos mais nova que sua irmã. Vivia rodeada da magia, do rei e da rainha, de sua coleção de bonecas.

E também havia a princesa primogênita, uma linda menina, com uma pele branca, parecia de porcelana. Olhos azuis, elétricos, intensos, vívidos. Suas risadas eram contagiantes e melodiosas, seu espírito era puro e livre. Adorava dançar e patinar no gelo, assim como ler e escrever contos. Tinha apenas dez anos quando seu conto de fadas se tornou um conto de terror. Essa menina era eu.

Acho desnecessário continuar com a farsa a partir desse ponto. Isso não é um conto de fadas, embora eu desejasse que fosse.

♦ meu país das maravilhas está quebrado. para mim, ele está morto.

O fogo queimou tudo que era mais importante para mim. Minha casa. Minha família. Minha sanidade. Ele veio sorrateiro, numa noite silenciosa e fria de inverno. Ninguém sabe como ele se iniciou, apenas que foi um descuido de alguém que havia deixado a lareira acesa. Alguém espalhou o fogo pela casa; culpam minha gatinha por isso. Mas tenho certeza que não foi, pois ela estava no meu quarto. É um mistério o qual não há evidências e testemunhas para desvendar. Fui a única sobrevivente. Isso não poderia ser considerado “livramento de Deus”. Talvez fosse punição. Embora tenho certeza que Deus não puniria uma criança de dez anos de idades.

Tudo que sobrou foram as cinzas. E elas se tornaram parte de mim. A culpa, o medo. E o sanatório.

Eles me enviaram para um sanatório. Com “eles” eu me refiro aos meus tios. Eu passei a morar com eles depois do incêndio, e não pareciam estar feliz com isso. E quando eu comecei a aparentar ter problemas... eles não quiseram ter esse fardo nas costas deles. Aos doze anos eu não conseguia dormir sem ter pesadelos. Tinha insônia, irritabilidade, fadiga, dificuldades de concentração, fobia de fogo.

No sanatório eu fiquei louca. Eu não era louca, tinha certeza disso. Talvez eu pudesse ser uma assassina, talvez eu tivesse acidentalmente matado minha família. Mas louca eu não era. Eu não sei bem quando a realidade se misturou as fantasias de minha cabeça, mas tudo ficou confuso e eu parecia viver em meu próprio mundo, onde minha irmãzinha ainda vivia, e onde meus pais eram o rei e a rainha. Talvez fossem os remédios, eu vivia dopada.

Ali eu descobrir que talvez eu fosse mais louca do que imaginava. Sempre me disseram que eu tinha um coração grande, capaz de abrigar muitas pessoas e amar todas. Que ele era tão mole quanto gelatina, e tão quente quanto o sol. Mas não entendia como eu realmente podia sentir o coração alheio. No sanatório meus poderes floresceram e se descontrolaram.

Ao invés de melhorar, disseram que eu piorei. Me diagnosticaram com transtorno explosivo intermitente e esquizofrenia catatônica e desde então fui submetida a vários tipos de tratamentos. Nunca me disseram quais, mas tenho minhas suspeitas. E nada é agradável. Eu não podia fazer nada, meus tios concordavam com aquilo tudo. Eu era apenas uma insana na visão deles. Eu li os relatórios... diziam que eu machuquei muitas pessoas, pacientes e enfermeiros. Que eu passava horas, até dias, na mesma posição, com uma expressão vazia. Eu não me lembro disso.

♦ esqueça a falsa esperança, esqueça o passado: o estrago está feito

Aos dezessete anos eu melhorei. Ao menos o suficiente para sair do sanatório. Eles viram o quão comprometida eu era a seguir à risca o tratamento e que iria tomar todos os remédios. Os períodos que passava no estado catatônico eram raros e meus momentos de sanidade eram mais constante. Seja lá o que aqueles loucos fizeram comigo, eu melhorei.

Sai do sanatório, fui levada de novo para casa dos meus tios. Apenas para descobrir que eles estavam sugando minha herança. Não gastavam comigo, usavam para benefício próprio. Tive que esperar completar dezoito anos para sair daquela casa. Mesmo meus tios não concordando, nem meus médicos, nem ninguém. Eu sai daquela casa com a condição de não sair de Westfield.

Precisava de um recomeço. Precisava de respostas e de ajuda para minha anomalia. E embora eu lute contra minha mente dizendo que eu sou normal. Eu sei que pessoas normais não podem controlar o sangue, os fazendo mover como queira. Mudar o estado físico do sangue, transformando-o em vapor, ou coagulando. Parar a circulação, ou arrebentar veias. Eu precisava ser normal.

♦ nunca brinque com espíritos

Editando, tô com preguiça
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"She came and substituted peace and quiet for acrobatic blood, flow, concertina. She's Thunderstorms in an unusual place."
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